Você já encontrou a palavra bichomel e ficou em dúvida sobre o que ela significa? A expressão é usada popularmente em alguns conteúdos para se referir às abelhas produtoras de mel, especialmente às conhecidas abelhas do gênero Apis.

Entre elas, uma das espécies mais importantes para a apicultura é a Apis mellifera, conhecida como abelha-do-mel ou abelha-europeia. No Brasil, populações dessa espécie passaram por um processo de cruzamento entre linhagens europeias e africanas, originando as chamadas abelhas africanizadas.

Mas produzir mel é apenas uma parte da história. As abelhas também estão entre os principais polinizadores de plantas e exercem uma função importante tanto nos ecossistemas naturais quanto na agricultura.

A seguir, entenda o que significa bichomel, como as abelhas transformam néctar em mel, como funciona uma colônia e por que esses pequenos insetos são tão importantes para a natureza.

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O que é bichomel?

Bichomel não é o nome científico de uma espécie de abelha. A expressão aparece como uma forma popular de se referir às abelhas associadas à produção de mel.

Do ponto de vista biológico, é mais preciso identificar o grupo ou a espécie sobre a qual estamos falando. O gênero Apis, por exemplo, reúne diferentes espécies de abelhas melíferas. Dentro desse grupo está a Apis mellifera, espécie amplamente relacionada à apicultura.

Abelha-do-mel sobre pequena margarida branca, com asas translúcidas e carga de pólen visível nas patas.
A abelha-do-mel visita flores em busca de néctar e também transporta pólen entre plantas.

O Integrated Taxonomic Information System (ITIS) reconhece Apis mellifera como uma espécie válida pertencente ao gênero Apis, à família Apidae e à ordem Hymenoptera.

Por isso, quando usamos “bichomel” neste artigo, estamos tratando principalmente das abelhas produtoras de mel do gênero Apis, com destaque para Apis mellifera.

A Apis mellifera no Brasil

A história da Apis mellifera no Brasil possui uma característica particular.

Segundo publicação da Embrapa de 2026, diferentes subespécies europeias foram introduzidas no país e, posteriormente, abelhas de origem africana também passaram a fazer parte das populações locais. O cruzamento entre essas linhagens deu origem às chamadas abelhas africanizadas.

Essas abelhas demonstraram grande capacidade de adaptação às condições ambientais brasileiras e passaram a ter papel relevante na apicultura nacional.

Colagem com abelhas em flor, entrada da colmeia, favos com mel e quadro de apicultura.
A apicultura acompanha de perto o trabalho das abelhas e a formação do mel dentro da colmeia.

Isso ajuda a explicar por que falar de “abelha-do-mel” no Brasil nem sempre significa encontrar exatamente o mesmo perfil de abelha observado em outras regiões do planeta.

Como as abelhas produzem mel?

O mel começa muito antes de chegar ao favo.

As abelhas operárias visitam flores em busca de néctar, uma solução açucarada produzida pelas plantas. Durante a coleta, o néctar é armazenado temporariamente em uma parte especializada do sistema digestório da abelha.

Quando a operária retorna à colônia, esse material passa por outras abelhas e começa a sofrer transformações.

Enzimas produzidas pelas próprias abelhas ajudam a modificar os açúcares presentes no néctar. Depois, o líquido é depositado nas células dos favos. Nesse momento, ele ainda possui muito mais água do que o mel pronto.

Abelha-do-mel caminhando sobre favos com mel armazenado em colmeia, em imagem macro detalhada.
Nos favos, as abelhas armazenam o mel produzido a partir do néctar coletado nas flores.

As abelhas favorecem a evaporação dessa água dentro da colmeia. Conforme a umidade diminui, o líquido se torna progressivamente mais concentrado até adquirir as características que reconhecemos como mel.

Quando o processo está suficientemente avançado, as células podem ser fechadas com uma fina camada de cera, permitindo que o alimento seja armazenado e utilizado pela colônia posteriormente.

O Animal Diversity Web, mantido pela Universidade de Michigan, descreve esse processo de coleta do néctar, adição de enzimas, armazenamento nos favos e perda de água durante a formação do mel.

Para que as abelhas armazenam mel?

Para nós, o mel é um alimento. Para as abelhas, ele representa principalmente uma reserva energética.

Flores nem sempre estão disponíveis em abundância durante todo o ano. Períodos de chuva, frio, seca ou baixa floração podem reduzir a quantidade de néctar encontrada no ambiente.

Abelha-do-mel em close sobre favo de mel, com células hexagonais cheias de mel ao redor, Bichomel.
Os favos de cera possuem estrutura hexagonal, ideal para armazenar mel e outros recursos da colônia.

Armazenar alimento dentro da colônia ajuda a manter o grupo durante momentos em que sair em busca de recursos se torna mais difícil.

Essa capacidade de produzir e conservar grandes reservas é justamente uma das características que tornou determinadas abelhas tão importantes para a apicultura.

Como funciona uma colônia de abelhas?

Uma colônia de Apis mellifera é uma sociedade altamente organizada. Entretanto, dizer que a rainha “comanda” todas as outras abelhas pode dar uma impressão equivocada de como essa organização funciona.

A rainha possui como principal função biológica a reprodução. Ela é a fêmea fértil responsável pela postura de grande parte dos ovos que darão origem aos indivíduos da colônia.

Grupo de abelhas-do-mel sobre colmeia com favos abertos, em fotografia macro de alta definição.
A vida na colmeia depende do trabalho coletivo de milhares de abelhas em diferentes funções.

As operárias são fêmeas que realizam grande parte das atividades necessárias à sobrevivência do grupo. Dependendo da idade e das necessidades da colônia, elas podem cuidar das larvas, limpar e manter os favos, defender a entrada da colmeia e sair em busca de néctar, pólen e água.

Os zangões são os machos e possuem função principalmente reprodutiva.

O funcionamento da colônia, portanto, depende da interação entre milhares de indivíduos e não de ordens emitidas por uma única abelha.

Qual é a importância das abelhas para a polinização?

A produção de mel costuma ser a característica mais lembrada quando pensamos em abelhas, mas ecologicamente existe outra atividade ainda mais importante: a polinização.

Quando uma abelha visita uma flor em busca de néctar ou pólen, grãos de pólen podem ficar aderidos ao corpo do inseto. Ao visitar outras flores, parte desse material pode ser transferida, contribuindo para a reprodução das plantas.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informa que aproximadamente 75% dos tipos de culturas alimentares do mundo dependem, pelo menos em algum grau, de polinizadores.

Bichomel, Abelha-do-mel coletando pólen no centro de uma flor branca, em close macro com fundo amarelado.
Enquanto se alimenta, a abelha também contribui para a polinização de diversas plantas.

Isso não significa que 75% de todo o alimento produzido desapareceria sem as abelhas. O dado se refere à quantidade de tipos de culturas que apresentam algum grau de dependência da polinização animal.

Frutas, sementes, castanhas, hortaliças e diferentes culturas agrícolas podem se beneficiar desse processo.

No Brasil, o Ibama também destaca as abelhas como importantes polinizadores em ambientes naturais e agrícolas e reconhece a polinização e os produtos das colônias entre os serviços ecossistêmicos associados a esses insetos.

Toda abelha que produz mel é Apis mellifera?

Não. Esse é um ponto importante porque associar todo mel exclusivamente à Apis mellifera deixaria de fora uma grande diversidade de abelhas.

O Brasil possui numerosas espécies de abelhas nativas sem ferrão, conhecidas como meliponíneos. Entre elas estão grupos populares como jataís, uruçus e mandaçaias.

Muitas dessas abelhas também produzem e armazenam mel, embora existam diferenças entre espécies quanto à quantidade produzida, composição do produto, organização dos ninhos e manejo.

A criação racional dessas abelhas recebe o nome de meliponicultura, enquanto a criação de abelhas do gênero Apis está tradicionalmente associada à apicultura.

A Embrapa Amazônia Oriental possui publicações específicas sobre criação, produção de mel e polinização por abelhas indígenas sem ferrão, mostrando a importância desse grupo especialmente para os ecossistemas brasileiros.

Portanto, “abelha produtora de mel” é uma descrição muito mais ampla do que simplesmente Apis mellifera.

Uma colmeia produz quanto mel por ano?

Não existe um único número que possa ser utilizado para todas as colmeias.

A produção de mel pode variar de acordo com fatores como espécie ou linhagem das abelhas, disponibilidade de flores, quantidade de néctar no ambiente, clima, localização do apiário, tamanho e saúde da colônia e técnicas de manejo utilizadas pelo apicultor.

Por esse motivo, afirmar que toda colmeia produz determinada quantidade fixa de mel por ano pode induzir o leitor ao erro.

Colagem com abelhas em flores, colmeia, favos e mel, mostrando etapas da produção de mel. Bichomel
A produção de mel envolve coleta de néctar, trabalho na colmeia e armazenamento nos favos.

Uma colônia forte instalada em uma região de grande disponibilidade floral pode apresentar um resultado muito diferente de outra submetida a escassez de alimento, condições climáticas desfavoráveis ou problemas sanitários.

A própria Embrapa trata a produção de mel como um sistema que envolve biologia das abelhas, alimentação, localização dos apiários, manejo das colônias, colheita e processamento.

Abelhas vivem apenas de néctar?

Não. Néctar e pólen possuem funções diferentes na alimentação da colônia. O néctar fornece principalmente açúcares e está diretamente relacionado à produção do mel. O pólen, por sua vez, constitui uma importante fonte de nutrientes para as abelhas e participa da alimentação e do desenvolvimento da colônia.

Durante suas visitas às flores, as operárias podem coletar os dois recursos. É justamente essa relação constante com as plantas que ajuda a transformar as abelhas em polinizadores extremamente eficientes.

Abelhas estão ameaçadas?

Não existe uma única situação aplicável a todas as milhares de espécies de abelhas existentes no planeta. Algumas possuem populações amplas, enquanto outras enfrentam pressões importantes.

Perda e fragmentação de habitats, redução da diversidade de flores, mudanças climáticas, doenças, parasitas e exposição inadequada a determinados agrotóxicos estão entre os fatores capazes de prejudicar populações de polinizadores.

A FAO chama atenção para o declínio de polinizadores em diferentes regiões e para a necessidade de práticas agrícolas e ambientais que ajudem a preservá-los.

No Brasil, o Ibama mantém procedimentos específicos para avaliação de riscos de agrotóxicos para abelhas justamente por causa da importância ecológica desses animais.

Proteger as abelhas, portanto, não significa apenas proteger a produção de mel. Significa também conservar relações ecológicas das quais dependem plantas, outros animais e diversas atividades agrícolas.

Bichomel e texugo-do-mel têm alguma relação?

A semelhança está basicamente no mel.

O texugo-do-mel (Mellivora capensis) é um mamífero e não possui qualquer parentesco próximo com as abelhas. O nome surgiu devido ao comportamento do animal de explorar colmeias e outros recursos alimentares.

Além disso, apesar da fama, sua alimentação é bastante diversificada e não se resume ao mel.

Se esse mamífero chamou sua atenção, conheça também Texugo-do-mel: adoráveis, mas ferozes pequenos mamíferos.

Abelhas e formigas são parentes?

Abelhas e formigas pertencem à ordem Hymenoptera, assim como as vespas, embora façam parte de diferentes grupos dentro dessa ordem.

Essa relação evolutiva ajuda a explicar por que encontramos sociedades complexas em diferentes representantes dos himenópteros, ainda que a organização e a biologia de cada grupo sejam distintas.

Um exemplo particularmente curioso da Amazônia é a Paraponera clavata. Conheça mais no artigo 5 curiosidades sobre a formiga-tucandeira.

Perguntas frequentes sobre bichomel

Bichomel é uma espécie de abelha?

Não. Bichomel é uma expressão popular encontrada para se referir a abelhas produtoras de mel. Quando o assunto é apicultura, uma das espécies mais importantes é Apis mellifera.

Qual é o nome científico da abelha-do-mel?

A espécie amplamente conhecida como abelha-do-mel ocidental é Apis mellifera, pertencente à família Apidae.

Todas as abelhas produzem mel?

Não da mesma maneira nem nas mesmas quantidades. Além das espécies do gênero Apis, diversas abelhas sem ferrão também produzem e armazenam mel. Outras espécies de abelhas possuem hábitos diferentes.

A rainha manda nas outras abelhas?

Não no sentido de uma líder dando ordens. Sua principal função é reprodutiva. O funcionamento da colônia resulta da interação e do comportamento coletivo de seus integrantes.

Por que as abelhas fazem mel?

O mel funciona como uma reserva de alimento rica em energia que pode ser utilizada pela colônia especialmente quando a oferta de néctar no ambiente diminui.

Por que as abelhas são importantes?

Além de produzirem mel, cera e outros produtos, muitas espécies atuam como polinizadoras e contribuem para a reprodução das plantas, a biodiversidade e diferentes culturas agrícolas.

Pequenos insetos com uma função enorme

As abelhas produtoras de mel chamam atenção pela capacidade de transformar néctar em um alimento concentrado e armazenável, mas sua importância não termina dentro da colmeia.

Ao transportar pólen entre flores, esses insetos participam de relações ecológicas que ajudam a manter populações de plantas e diferentes sistemas agrícolas.

Também é importante lembrar que o mundo das abelhas é muito mais diverso do que a conhecida Apis mellifera. O Brasil abriga numerosas abelhas nativas, incluindo espécies sem ferrão que produzem seus próprios tipos de mel e possuem forte relação com a flora local.

Assim, conhecer o chamado bichomel é apenas uma porta de entrada para um universo muito maior de espécies, adaptações e relações entre animais e plantas.

Para continuar explorando esse tema, acesse a seção Animais e Natureza do Todos os Fatos.